O crédito aos consumidores continua a desempenhar um papel relevante na gestão financeira das famílias portuguesas. Seja para fazer face a despesas inesperadas, investir em mobilidade, educação ou reorganizar o orçamento mensal, os dados mais recentes mostram tendências importantes que ajudam a compreender como os consumidores recorrem ao crédito — e como o fazem.
Com base na informação estatística publicada pelo Banco de Portugal, analisamos a evolução dos novos contratos de crédito pessoal, automóvel e renovável, os seus custos, prazos, tipos de taxa e o papel crescente dos intermediários de crédito.
Quanto crédito está efetivamente a ser utilizado?
No caso do crédito renovável — que inclui cartões de crédito e outros produtos com limite reutilizável — nem todo o montante contratado é utilizado. Em dezembro de 2025, a taxa de utilização situava-se nos 27,7%, o que significa que apenas cerca de um quarto do limite disponível estava efetivamente em uso.
Este indicador é relevante porque permite avaliar o grau de dependência do crédito renovável e o nível de exposição das famílias a custos mais elevados associados a este tipo de produto.
Novos créditos aos consumidores: menos contratos, montantes ainda elevados.
Em dezembro de 2025 foram celebrados 142 985 novos contratos de crédito aos consumidores, uma redução face ao mês anterior. O montante total contratado atingiu 758,7 milhões de euros, também ligeiramente inferior ao registado em novembro.
Apesar da diminuição mensal, estes valores continuam a refletir um mercado ativo, com o crédito a desempenhar um papel relevante no financiamento das famílias.
Crédito pessoal, automóvel e renovável: como se distribui o financiamento?
A análise por segmento permite perceber melhor a finalidade do crédito contratado:
- Crédito renovável:
124,1 milhões de euros, associados a 77 014 contratos; - Crédito pessoal:
318,9 milhões de euros, distribuídos por 47 083 contratos; - Crédito automóvel:
315,6 milhões de euros, em 18 888 contratos.
O crédito pessoal e o crédito automóvel apresentam valores médios por contrato mais elevados, enquanto o crédito renovável surge associado a um número significativamente maior de contratos, mas com montantes unitários mais baixos.
Evolução do crédito num horizonte de 12 meses.
Para evitar distorções mensais, o Banco de Portugal acompanha também a taxa de variação homóloga do montante acumulado de 12 meses, permitindo avaliar o verdadeiro dinamismo do crédito aos consumidores.
Este indicador mostra se o crédito está, no conjunto do ano, a crescer ou a desacelerar, oferecendo uma visão mais estável da tendência do mercado.
Quanto custa o crédito? A evolução da TAEG.
A TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) reflete o custo total do crédito, incluindo juros, comissões e outros encargos. Os dados mostram diferenças relevantes entre segmentos:
- O crédito renovável continua a apresentar a TAEG mais elevada;
- O crédito automóvel tende a ser o mais competitivo;
- O crédito pessoal situa-se numa posição intermédia.
Comparar a TAEG é essencial para compreender o verdadeiro custo do crédito antes de tomar qualquer decisão.
Tipo de taxa de juro: estabilidade continua a ser prioridade.
A maioria dos novos contratos de crédito aos consumidores foi celebrada a taxa fixa ou mista:
- 98,1% dos contratos de crédito pessoal;
- 96,6% dos contratos de crédito automóvel.
Esta preferência revela uma clara preocupação das famílias com a previsibilidade das prestações e a proteção face a variações futuras das taxas de juro.
O papel dos intermediários de crédito no acesso ao financiamento.
Uma parte significativa do crédito aos consumidores é hoje contratada através de intermediários de crédito, especialmente nos segmentos automóvel e pessoal.
Este canal permite:
- Comparar propostas de várias entidades;
- Ajustar soluções ao perfil financeiro do consumidor;
- Reduzir custos e riscos associados a decisões menos informadas.
Crédito aos consumidores: decisões pequenas, impacto grande.
Os dados do Banco de Portugal mostram que o crédito aos consumidores continua a ser amplamente utilizado, mas também evidenciam a importância de escolher bem:
- o tipo de crédito,
- o prazo,
- a taxa de juro,
- e o canal de contratação.
Na Maxfinance Presidente, ajudamos famílias a interpretar estes números e a transformá-los em decisões financeiras mais seguras, adequadas à sua realidade e aos seus objetivos — porque mesmo créditos de menor valor podem ter um grande impacto no orçamento mensal.



