A decisão de comprar casa com recurso a crédito habitação é, para a maioria das famílias, um dos compromissos financeiros mais relevantes ao longo da vida. Trata-se de uma escolha que envolve valores elevados, prazos longos e impacto direto na estabilidade financeira presente e futura. Ainda assim, continua a ser um tema onde a informação nem sempre é clara — e onde a complexidade da linguagem afasta muitas pessoas de uma decisão verdadeiramente informada.
Entre propostas, simulações e documentos contratuais, surgem conceitos técnicos que, apesar de recorrentes, são pouco compreendidos pela generalidade dos consumidores. A consequência é simples: decisões tomadas sem total domínio sobre o que está realmente em causa.
O peso da linguagem financeira.
TAEG, LTV, MTIC, spread. Estas siglas aparecem de forma sistemática em anúncios publicitários, folhetos bancários e conteúdos de literacia financeira. No entanto, raramente são explicadas de forma acessível e contextualizada.
Quando a informação não é devidamente traduzida, o cliente tem dificuldade em responder às perguntas mais importantes:
Quanto vou pagar hoje? E conseguirei manter este compromisso no futuro, se o contexto mudar?
Sem compreensão, não há comparação eficaz nem decisão ponderada.
TAEG: mais do que uma taxa
A TAEG é um dos indicadores mais relevantes na análise de um crédito habitação. Representa o custo global do empréstimo, integrando não apenas os juros, mas também comissões, seguros obrigatórios e outros encargos associados.
É um instrumento essencial para comparar propostas entre diferentes instituições financeiras. Contudo, perde utilidade quando o cliente não sabe exatamente o que está incluído no seu cálculo.
LTV: quanto financia o banco, quanto entra o cliente
O LTV (Loan to Value) indica a percentagem do valor do imóvel que o banco está disposto a financiar. Na prática, mostra qual a fatia do investimento que terá de ser assegurada com capitais próprios.
Ignorar este rácio pode criar expectativas irrealistas e provocar constrangimentos logo numa fase inicial do processo de compra.
MTIC: o custo real do crédito
O MTIC corresponde ao montante total que será pago ao banco durante toda a duração do empréstimo. É o valor que revela, de forma clara, quanto custa efetivamente o crédito do primeiro ao último pagamento.
Apesar da sua importância, continua a ser um dos indicadores menos valorizados, muitas vezes eclipsado por taxas ou prestações mensais mais apelativas.
Spread: apenas uma parte da equação
O spread é frequentemente encarado como o principal — ou único — ponto de negociação com o banco. No entanto, trata-se apenas de uma variável entre várias que influenciam o custo final do crédito.
Focar-se exclusivamente neste elemento pode conduzir a decisões menos equilibradas, sobretudo quando outras condições contratuais não são devidamente analisadas.
O papel do intermediário de crédito
Num mercado cada vez mais competitivo e tecnicamente exigente, o papel do intermediário de crédito ganha especial relevância. Mais do que apresentar propostas, a sua função passa por traduzir a linguagem bancária, enquadrar os conceitos, comparar cenários e apoiar o cliente na negociação das melhores condições possíveis.
O objetivo é garantir que a decisão de compra da casa assenta em conhecimento, clareza e segurança — e não em incerteza ou suposições.
Fonte: Artigo publicado no jornal Sol, com base em contributos da Maxfinance – Intermediários de Crédito.



